CAE Angola | Empresas nacionais declaram falência
Mais de 100 empresas nacionais de prestação de serviços perderam contratação com as petrolíferas nos últimos dois anos, a favor das empresas estrangeiras, informou ontem, em Luanda, o director-geral do Centro de Apoio Empresarial (CAE).
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Empresas nacionais declaram falência

16 Out 2017 Empresas nacionais declaram falência

Job Vasconcelos denunciou que as firmas nacionais são relegadas ao plano inferior

Mais de 100 empresas nacionais de prestação de serviços perderam contratação com as petrolíferas nos últimos dois anos, a favor das empresas estrangeiras, informou ontem, em Luanda, o director geral do Centro de Apoio Empresarial (CAE).

Job Vasconcelos, que falava em exclusivo para o Jornal de Angola, apontou o caso de empresas nacionais que fizeram avultados investimentos e, por os seus serviços não terem sido solicitados, acabaram por morrer logo no início das actividades.
O responsável entende que as empresas nacionais são remetidas no plano inferior em relação às estrangeiras que, para piorar, não dão nenhuma informação, não são monitoradas e os projectos a implementar em Angola não são avaliados, se incluem ou não o desenvolvimento do conteúdo local.
O director do CAE disse que, por contratação de empresas de prestação de serviços estrangeiros, o país perde elevadas somas de divisas para o mercado externo, quando as nacionais trariam mais emprego, criariam mais desenvolvimento na economia angolana e pagariam mais impostos.

Para converter a situação, disse, torna-se importante olhar mais para a contratação de empresas nacionais, uma vez que as estrangeiras têm estado a superar as nacionais, ao mesmo tempo que rejeitam a mão-de-obra nacional por considerarem o conteúdo local caro, o que não corresponde à verdade.
Job Vasconcelos acredita que, no início, pode ser um pouco dispendioso, mas que bem supervisionados, os custos vão reduzindo ao longo dos anos, com a criação de mais postos de trabalho. “Isso permitirá a redução da exportação de divisas para a compra de prestação de serviços e bens com as estrangeiras”, salientou.
O sector petrolífero está aberto à introdução de empresas nacionais para o desenvolvimento do capital humano e para prestação de bens e serviços.
Até ao momento, o CAE certificou mais de 300 empresas em diferentes categorias, como agricultura, pecuária, catering, construção civil, logística, gestão de resíduos, saúde, segurança, transportes, consultoria e outras mais específicas no sector.
O director-geral do CAE assegurou que o importante é criar um ambiente de sustentabilidade para as empresas nacionais, para que elas possam crescer e ganhar força para se estabilizarem.
Job Vasconcelos disse que as empresas que perdem contratação levam consigo mão-de-obra para rua, criando desemprego, o que não é bom para o país. Deve ver-se o que pode ser a perspectiva para o futuro e o que pode servir para elevar a estabilidade do empresariado.
Para ele, a legislação para o desenvolvimento do conteúdo nacional no sector petrolífero está ultrapassada, por ser de 2003. Job Vasconcelos defende a concepção de uma lei específica do desenvolvimento do conteúdo nacional, que abarque a introdução das empresas angolanas no sector, nos diferentes ramos.
“A legislação deve ser diferente da actual e específica nos serviços a serem prestados por empresas nacionais e por empresas estrangeiras. Deve haver um privilégio ao que é produzido em Angola”, salientou. Job Vasconcelos defende também que o sector petrolífero e a legislação do conteúdo nacional criem o estímulo de obrigatoriedade das empresas que, depois, sejam aceites pela concessionária e pelos operadores. “Para esse processo, é necessário que se definam os serviços a serem realizados por empresas nacionais e estrangeiras”, reiterou o director-geral do CAE.
O gestor compreende que a tecnologia ainda seja um factor de deficiência em Angola e, com ela, vem a mão-de-obra especializada para muitas actividades. “Mas isso não justifica o que está a acontecer nos últimos dois anos”, assinalou.
O director-geral afirma que o sector petrolífero é a locomotiva da diversificação da economia para garantir o investimento do empresariado, desde que se lhe garanta a contratação de serviços derivados da agricultura, pecuária, hotelaria e turismo e muito mais. “O empresário mesmo que tenha dinheiro para investir, se não tiver a garantia de contratação em detrimento das empresas estrangeiras não irá a lado nenhum”, disse.